É muito provável que você tenha na sua cozinha potes e outros utensílios de plástico. Porém, o uso deste tipo de material tem se revelado problemático para a saúde do ser humano. Isso é devido a um composto químico tóxico encontrado em alguns tipos de plásticos, inclusive em mamadeiras e no revestimento interno de latas. Este pode migrar para os alimentos e, depois, para o corpo humano, provocando inúmeras alterações. Essa substância chama-se bisfenol A ou BPA. Nesse artigo descubra o que é o bisfenol A e como se proteger.
O que é o bisfenol A?
O bisfenol, mais conhecido como Bisfenol A (BPA), é um composto químico amplamente utilizado na fabricação de plásticos e resinas.
Este composto é fundamental na produção de produtos de policarbonato, como garrafas de água reutilizáveis, recipientes de armazenamento de alimentos, CDs, DVDs e diversos outros produtos de consumo diário.
Também está presente na resina epóxi, utilizada na fabricação do revestimento interno de latas de alimentos e bebidas. Esse revestimento tem a função de evitar a ferrugem e prevenir a contaminação externa.

Mas o BPA é uma molécula muito instável. Dessa forma, pode migrar das embalagens para os alimentos, principalmente após mudanças de temperatura ou danos ao revestimento das latas.
E mudanças de temperatura, mesmo pequenas, já são suficientes para liberar o bisfenol A. Porém, o BPA é ainda mais liberado dos utensílios de plástico para os alimentos, quando esses são aquecidos.
Origem e Uso
O Bisfenol A foi sintetizado pela primeira vez no início do século 20, mas seu uso industrial começou a se expandir a partir da década de 1950. Hoje, ele está presente em uma variedade de produtos devido à sua capacidade de endurecer plásticos e melhorar a resistência a impactos.
Riscos do Bisfenol A para a saúde
Nas últimas décadas, o BPA tem sido alvo de inúmeras pesquisas devido às suas potenciais implicações para a saúde humana. Estudos indicam que ele pode se comportar como um disruptor endócrino, imitando a ação de hormônios no corpo e, potencialmente, causando efeitos adversos, especialmente no sistema reprodutivo, no desenvolvimento infantil e no funcionamento do sistema imunológico.
Estudos sugerem que o BPA age aumentando ou diminuindo a produção ou a ação dos nossos hormônios. Isso, claro, provoca diversos problemas para a saúde.
Gestantes devem ficar ainda mais atentas, já que o bisfenol A atravessa a placenta, afetando o sistema endócrino do bebê. O BPA atinge mais gravemente fetos e crianças, já que estão em fase de desenvolvimento.
Nas mulheres o BPA pode levar a infertilidade, além de provocar instabilidade na ovulação e aumentar a incidência de câncer de mama, ovário e endométrio.
Em meninas o BPA pode levar a puberdade precoce. Além disso, pode aumentar a proliferação das células de gordura resultando em obesidade.
Nos meninos pode gerar a atrofia testicular, testículos ausentes ou ectópicos (crescimento fora do saco escrotal). E também ausência de próstata e ainda má formação ou ausência de epidídimo (local de armazenamento e amadurecimento de espermatozoides), entre outras malformações genitais.
O BPA também afeta os homens. Eles podem ter a produção de espermatozoides prejudicada, causando problemas de infertilidade. Há ainda risco de câncer de próstata.
Mas o bisfenol A também pode estar envolvido em problemas gastrointestinais, no fígado, doenças inflamatórias crônicas e déficit de atenção e hiperatividade.
BPA e a legislação: potes plásticos e mamadeiras
O BPA pode ser encontrado até em mamadeiras. Por isso, desde 1º de janeiro de 2012, a ANVISA proibiu a comercialização de mamadeiras e produtos voltados para lactentes contendo BPA.

A União Europeia e países como Canadá e Estados Unidos também já tomaram medidas para restringir o uso do bisfenol A.
Para as demais aplicações, contudo, como potes plásticos, revestimentos de latas, garrafões de água e utensílios de cozinha em geral, o BPA ainda é permitido.
Mas a legislação estabelece limite máximo de migração específica desta substância para o alimento, que foi definido com base nos resultados de estudos toxicológicos.
A detecção dos efeitos biológicos na exposição em curto prazo ao BPA é impossível. Entretanto, após longos períodos de ingestão, manifestações tóxicas sutis e, por isso mesmo, de difícil detecção, poderão ocorrer.
Como identificar nas embalagens do BPA
Identificar a presença de BPA (Bisfenol A) nas embalagens pode ser um desafio, pois nem sempre essa informação é claramente indicada. No entanto, há algumas dicas e estratégias que podem ajudar:
É preciso ler o rótulo e evitar todo produto que contenha policarbonato ou os números 3 (PVC) ou 7 (outros) no símbolo da reciclagem, que geralmente aparece na base da embalagem. No entanto, nem todos os plásticos com o número 7 contêm BPA, pois este grupo inclui uma variedade de plásticos. Se o produto não trouxer nenhuma informação, na dúvida, é melhor evitar seu uso.

Plásticos com os números 1, 2, 4, 5 e 6 geralmente não contêm BPA, mas podem conter outros contaminantes.
Já existem embalagens livres do composto, indicação que também costuma constar no rótulo do produto. Exemplos abaixo:


Aparência e Uso do Produto
- Transparência e Rigidez: Plásticos rígidos e transparentes podem ser feitos de policarbonato e conter BPA.
- Produtos Térmicos: Produtos que são frequentemente expostos ao calor, como recipientes de micro-ondas e utensílios de cozinha, têm mais chances de conter BPA.
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Não há unanimidade
Há pesquisas, contudo, que liberam o uso de plásticos contendo BPA. Justificam que a quantidade presente nesses produtos é muito pequena e bem inferior ao limite máximo permitido.
Outras pesquisas, entretanto, não excluem a possibilidade de ocorrência de efeitos adversos sobre a saúde humana, em decorrência da exposição ao BFA, mesmo em baixas doses.
Mas a realidade é que ninguém sabe ao certo a gravidade do problema. É muito difícil fazer pesquisas com esse tipo de substância em humanos, principalmente quando se pensa no consumo de longo prazo.
Como evitar a contaminação por Bisfenol A
Abaixo um resumo sobre como evitar a contaminação pelo BPA:
- No caso das mamadeiras, utilize as de vidro ou com a indicação “BPA Free”, que significa livre de bisfenol.
- Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados, mesmo que não tenham os símbolos de reciclagem números 3 e 7. Também evite lavá-los na máquina de lavar louças.
- Mesmo que não tenha o BPA, os plásticos podem conter outras moléculas que também podem migrar dos utensílios e contaminar os alimentos. Algumas já estão em estudo como os ftalatos.
- Quanto aos enlatados, evite o consumo. Afinal o bisfenol A também é encontrado na resina epóxi que reveste a parte interna das latas.
- Não esquente bebidas e alimentos em potes plásticos no micro-ondas. O bisfenol A e outros compostos em geral, são liberados em maiores quantidades com o calor.
- Pelo mesmo motivo, não coloque líquidos quentes em canecas ou recipientes de plástico. Dê sempre preferência a utensílios de vidro, inox, cerâmica ou porcelana. Uma dica: reaproveite as embalagens de vidro de alimentos, por exemplo, para armazenar suas preparações. É prático, barato e ecológico!
Conclusão
O bisfenol é um componente chave na fabricação de muitos produtos plásticos, mas seu potencial impacto na saúde humana não pode ser ignorado. A conscientização e a escolha por alternativas seguras são passos importantes para minimizar os riscos associados ao BPA.
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Enfim, é isso. Ficou alguma dúvida?

Excelente matéria!! ???
Acrescentaria evitarmos os plásticos que contenham o número 3 (PVC) e o número 6 (PS – Poliestireno).
Obrigada pelo seu comentário, William.